Tuesday, August 23, 2005


Penso na desolação que eu sinto e que agora eu desejo,
que eu quero espalhar pó de carvão no mundo e pó de carvão no meu rosto, enrolar meus braços com arame farpado e ficar carregando carrinhos-de-mão cheios de estrume, virando, virando sobre mar.
(eu também sei ser triste)
Minha pálpebra esquerda está cortada, meus lábios sangram e eu perdi três quilos,
(aí estão o boi, o anjo e o violino de que falei ontem)
_ eu não queria voltar para casa, terminar a monografia, eu não queria que escurecesse e então o vento agitasse minha janela (e só eu percebo) e eu tivesse que chorar de novo durante o banho e o shampoo e até meu corpo parece murcho e ainda assim eu sou como aquelas mulheres de Balzac que ficam ainda mais belas quando sofrem.
Eu tirei o gelo da testa, não sou um excêntrico proibido, não estou rodando o filme da minha genialidade com atores ao redor da lagoa dos nenúfares, não estou com Lucy in the Sky with Diamonds, não estou lá em Tel Aviv.
Mas descobri que a dor tem todo um sentido interno, que ela usa minhas lembranças para atiçar as chamas, que ela usa meu sorriso.
Ok, ok, vou ficar bem quando quiser.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

é eu sei
mas é bom ir até o fundo, eu (isso é segredo) gosto de chorar de frente ao espelho e eu me acho tão linda nessas horas, e eu estico o sofrimento.

7:53 AM  

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