Monday, September 05, 2005

( toda a dor foi afogada em noites que não amanheceram em lugares fechados onde desconhecidos me ouviam atentamente antes, eu percebia olhos interessados, mãos nos meus ombros que depois deslizavam lentamente para me distrair: que a pornografia e a promiscuidade têm grandes doses de lirismo)
Eu descubro que por todo esse tempo a minha vida de antes seguiu seu curso subterrâneo, que meus amigos continuavam segurando as minhas mãos e que ainda havia diversão e beleza, tardes douradas e marcas no pescoço. Que eu voltei mais forte e mais feliz. E meu pequeno coração branco voltou a funcionar e que as pessoas passam e tudo pode ser sentimental como uma propaganda de cartão de crédito. E meu corpo continua sendo um parque de diversões e há essas pombas;
porque as peninhas vermelhas no peito delas revelam:
foram ninfas apunhaladas por amantes ciumentos.
(perdi minha pulseira de ouro, aquela que fazia cigano, que era de meu pai, que eu girava) "Perder a pulseira" não era a expressão que Luciana e eu usávamos para exprimir TRAGÉDIA BURLESCA (rs)?
Eu estou limpo, apesar do sangue e da nova tinta nos cabelos, da besteira que fiz tentando torná-los cacheados com um produto duvidoso. Limpo de qualquer apreensão, volta a fazer calor.
(a metade que estava enterrada uniu-se à metade que sobreviveu):
_ Obviamente você não me matou.
(sou aquele parque, sou aquele parque)

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

além de ser parque ainda fica sobre o mar...

eu ando com tijolos e tijolos, eu preciso tirar um tempo pra me letrar!

1:30 PM  

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