Monday, August 29, 2005

Músicas em francês distraem porque não entendo nada do sofrimento elegante
eu sabia e talvez agora seja só o momento em que o dedo é picado pelo alfinete,
caiu,
a granada bem ao lado da trincheira,
as abelhas picaram o menino.
Eu não sei dizer o que eu sinto e não quero fazer parecer artificial ou.

Thursday, August 25, 2005

(eu não consigo escrever bem de boné _rs) tudo está melhor comigo e estando bem eu consigo te ler melhor e dizer pela milésima vez que eu te entendo e que _acho que depois de um tempo de felicidade o nosso brilho muda e nossa relação com as palavras também muda porque poucas palavras servem aos extremos e por isso somos forçados a deixar a ponta do iceberg a vassouradas;
essa beatitude não é contínua mas talvez esteja aí a graça toda de subir e descer e subir novamente com a mesma pessoa, ainda que ela não queira, ainda que ela não saiba
(entrar e sair no mar e tomar todynho _ criamos uma mitologia toda nossa onde somos repetidos deuses dos banhos e dos lençóis das formigas e tudo que está escrito em todas as camisetas que o amor viu)
então nós temos várias promessas guardadas como "sou muito feliz quando ele está aqui" e "nossa despedida depois de uns minutos sentados no fosso azul da biblioteca é triste e bonita", pequenas legendas que tentam traduzir nossos abraços e apreensões da distância. E das saudades, que mesmo Sonoko quando se lembra de Mitsuko
_são tantas tantas tantas.
( de um comentário que fiz hoje no rendezvouzexplicado, para D.)

Tuesday, August 23, 2005


Penso na desolação que eu sinto e que agora eu desejo,
que eu quero espalhar pó de carvão no mundo e pó de carvão no meu rosto, enrolar meus braços com arame farpado e ficar carregando carrinhos-de-mão cheios de estrume, virando, virando sobre mar.
(eu também sei ser triste)
Minha pálpebra esquerda está cortada, meus lábios sangram e eu perdi três quilos,
(aí estão o boi, o anjo e o violino de que falei ontem)
_ eu não queria voltar para casa, terminar a monografia, eu não queria que escurecesse e então o vento agitasse minha janela (e só eu percebo) e eu tivesse que chorar de novo durante o banho e o shampoo e até meu corpo parece murcho e ainda assim eu sou como aquelas mulheres de Balzac que ficam ainda mais belas quando sofrem.
Eu tirei o gelo da testa, não sou um excêntrico proibido, não estou rodando o filme da minha genialidade com atores ao redor da lagoa dos nenúfares, não estou com Lucy in the Sky with Diamonds, não estou lá em Tel Aviv.
Mas descobri que a dor tem todo um sentido interno, que ela usa minhas lembranças para atiçar as chamas, que ela usa meu sorriso.
Ok, ok, vou ficar bem quando quiser.

Monday, August 22, 2005

´'Ah! then yours wasn't a really good school,' said the Mock Turtle in a tone of great relief. `Now at OURS they had at the end of the bill, "French, music, AND WASHING--extra.'
(estou começando de novo) e eu já disse que também sou Juanito em uma velha caminhonete vermelha (com uma porta branca) indo direto para a Patagônia, que meu céu tem estrelas de neón com formato de maçanetas e meus olhos são dois pássaros escuros, dois morcegos, duas latinhas com um fio-para-ser-telefone. (Há exatos dois anos eu voltava de Buenos Aires e eu me lembro que havia acordado às quatro e o céu estava vermelho e luminoso sobre a cidade, e o vento agitava as folhas e eu dobrava meu pescoço na janela para ver o resto da noite sobre a Plaza del Congreso; imaginei que o aeroporto estaria fechado pelo mau tempo e que meu vôo seria adiado e tive vontade de ficar e continuar a minha vida ali, uma vida inteira na Avenida de Mayo). E hoje tudo é mais dolorido e eu tive que crescer e ser herói e ser outro e aprender truques de palco e secagem rápida de lágrimas. Eu não sei se freqüentei uma boa escola nesses dois anos que me separam de descer do avião e ir jantar em casa, com saudades de todos e já me esquecendo de cada detalhe das fachadas, das folhas de plátano, do cheiro de lavanda e mofo de alguns sebos, das carteiras escurass da UBA e do saibro molhado dos parques. E agora eu fico ensaiando os exercícios mais complicados e querendo fazer tudo parecer perfeito enquanto estou dolorido e cansado, querendo apertar RESET e voltar ao início do jogo, nas fases mais fáceis, com monstrinhos menores, sem poços de lava ou areia movediça. Antes de comer o cogumelo e crescer. Estar parado em algum ponto ideal, sem pensamentos ou bois ou anjos ou violinos. Descalço em um degrau sujo chupando picolé de groselha. Bastaria.