Tuesday, October 18, 2005

(não mude que eu então não mudo)
Não que eu queira estar fechado ou parar de jogar. É outra coisa. Quase como medir a extensão do que vem pela frente, sem enviar mensagens cifradas, sem esperar qualquer resposta. Um farol, a lente do telescópio de um observatório vazio. De repente todos estão ocupados e eu me preocupo com pessoas que há dois meses atrás nem existiam bem para mim.
(isso é ser adultinho)
Fixado nas mudanças mínimas. Eu-era-o-de-antes.
_ Descobri que tenho que viver com uma paisagem exótica ao fundo. Tailândia, Camboja... até a Amazônia me serve.
_ Dani, eu vou fugir para o Acre. Ano que vem. Sério.
(tudo isso pode ser verdade)
quando eu aprendi finalmente a ler meu corpo _ como se ele fosse um grande volume encadernado luxuosamente_ eu descobri que preciso atendê-lo. Que ele não era apenas meu uniforme. Então vasculho dentro também. Onde o sangue brota mais triste ou quente na medula. E quando meu nariz sangrou hoje
(ah... Juanito, é o tempo seco)
eu sabia que aquele sangue vinha dos meus segredos contados pela metade, da minha vida interna _ que ninguém sabe, que ninguém sabe, ninguém; mesmo quem já chegou mais perto dos sinais que eu emito.
Dentro de mim vivem donzelas-ninfas que depositam cartas em buracos de velhos carvalhos, vivem negrinhos que espalham velas pelo pasto para encontrar o caminho de volta _ e esse eu não tenho _ sempre queimo as pontes e se volta a algum lugar é sempre por outro atalho).
Mais nada.

Monday, October 10, 2005

the O. : Vc pensou em mim?
the O. : Responde!
the O. : não dá p ouvir, meu computador não tem placa
the O. : Rápido!
O céu não tem mais nuvens. A cor falha em alguns pontos, como se o tecido estivesse prestes a se desfazer. Todas as manhãs dos últimos dias foram exatamente assim: claras, insuportáveis, cheias de angústia e de pequenos desejos. Papel de seda vermelho com os caracteres chineses, o radical da madeira, o radical da água. E ontem antes de dormir, dobrado na cama e nas páginas de Buck e eu chorei pela primeira vez pelo penúltimo amor perdido, o filme que eu havia assistido também tinha uma bússola como símbolo e a mulher (Meryl Streep, muito suave, muito digna) dizia (apenas se ouve a voz, cenas de paisagens africanas):
Ele me deu a bússola... mas logo percebi que navegávamos em rumos diferentes. (...) A Terra é redonda para que não vejamos o final do caminho. Eram frases assim e havia dor e no final também havia perda.
E agora que meu coração ficou novamente branco e há alguém que. Há o Anjo da Anunciação e eu queria sempre ter sido-só-dele.
Vamos viver juntos na floresta e no início ele me disse (mais ou menos assim, nunca tenho certeza de nada) 'você é igual a mim' e eu não sabia se era e hoje eu digo a ele que ele é meu príncipe encantado e ele responde dizendo que ele é tedioso e cheio de metafísicas, eu quero ficar no lugar dos cãezinhos dele e queria que ele estivesse fechado dentro do meu Sputnik e que a cada dia eu fugiria com ele para o Canadá e faria todo um book de foto dos olhares sérios e deduziríamos muito de cada linha e.
De repente é bom que faça todo esse calor e a Natureza esteja quase estéril, de repente é bom que tudo esteja terminando e que eu posso (da menor maneira) começar outra vida. Outra vida.