(não mude que eu então não mudo)Não que eu queira estar fechado ou parar de jogar. É outra coisa. Quase como medir a extensão do que vem pela frente, sem enviar mensagens cifradas, sem esperar qualquer resposta. Um farol, a lente do telescópio de um observatório vazio. De repente todos estão ocupados e eu me preocupo com pessoas que há dois meses atrás nem existiam bem para mim.
(isso é ser adultinho)
Fixado nas mudanças mínimas. Eu-era-o-de-antes.
_ Descobri que tenho que viver com uma paisagem exótica ao fundo. Tailândia, Camboja... até a Amazônia me serve.
_ Dani, eu vou fugir para o Acre. Ano que vem. Sério.
(tudo isso pode ser verdade)
quando eu aprendi finalmente a ler meu corpo _ como se ele fosse um grande volume encadernado luxuosamente_ eu descobri que preciso atendê-lo. Que ele não era apenas meu uniforme. Então vasculho dentro também. Onde o sangue brota mais triste ou quente na medula. E quando meu nariz sangrou hoje
(ah... Juanito, é o tempo seco)
eu sabia que aquele sangue vinha dos meus segredos contados pela metade, da minha vida interna _ que ninguém sabe, que ninguém sabe, ninguém; mesmo quem já chegou mais perto dos sinais que eu emito.
Dentro de mim vivem donzelas-ninfas que depositam cartas em buracos de velhos carvalhos, vivem negrinhos que espalham velas pelo pasto para encontrar o caminho de volta _ e esse eu não tenho _ sempre queimo as pontes e se volta a algum lugar é sempre por outro atalho).
Mais nada.

